PhotoCraft: o clone grátis do Photoshop feito com IA já substitui a Adobe?
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PhotoCraft: o clone grátis do Photoshop feito com IA já substitui a Adobe?

O PhotoCraft é um clone open source do Photoshop em Rust feito com IA. Veja o que já funciona, o que falta, como instalar e se dá pra cancelar a Adobe.

Um cara de saco cheio da taxa de cancelamento da Adobe pegou uma IA e montou um clone do Photoshop. É grátis, tem código aberto e roda até no Linux (bom pra quem está pensando em largar o Windows 10). Chama PhotoCraft, já passou de 40 mil estrelas no GitHub em menos de duas semanas, e a pergunta que todo mundo faz é a mesma: dá pra cancelar a assinatura hoje?

Resposta curta: pra maioria de quem trabalha com isso, ainda não. Pra quem só recorta, ajusta cor e monta uma thumb, talvez já dê.

O que é o PhotoCraft

O PhotoCraft é um editor de imagem escrito do zero em Rust que copia de propósito a cara do Photoshop: menus, atalhos, painéis e ferramentas no mesmo lugar. Ele faz parte do ArtCraft, um pacote de sete apps do Brandon Thomas, ex-CEO da Storyteller.ai. Os outros miram Premiere (FilmCraft), Lightroom (LightCraft), Illustrator, After Effects, InDesign e Acrobat. Segundo a PetaPixel, Thomas contou no Reddit que usou o Claude Opus 5.5 pra recriar os sete apps. O código está no GitHub sob licença MIT ou Apache-2.0, com versões pra Windows, macOS, Linux, FreeBSD e navegador.

Tem camadas, máscaras, 16 camadas de ajuste, estilos de camada, smart objects com filtros editáveis, texto, vetores, motor de pincel com pressão de caneta, CMYK e Lab, 8, 16 e 32 bits. O ponto mais útil é o PSD: segundo o README, abrir e salvar de novo mantém o mesmo resultado visual em 307 de 309 arquivos de um conjunto público de testes. E tem um detalhe que pouca gente comentou: a interface já tem tradução pra português do Brasil desde a versão 0.5.0, feita por contribuidores brasileiros.

O que já funciona e o que ainda falta

A avaliação de paridade atualizada em 10/10. Segundo ela, uns 76% dos recursos do Photoshop existem de alguma forma, mas só uns 45% estão prontos pra trabalho profissional de verdade. Pra quem usa só o básico (abrir foto, camadas, seleção, recorte, ajuste de cor, exportar), a conta sobe pra uns 61%.

O que falta pesa. São 53 ferramentas contra 68 do Photoshop. Não tem Preenchimento Generativo, filtros neurais nem nada de IA generativa. Também não roda plugins .8BF nem importa ações .atn. O texto ainda trava em alguns casos, pincel grande dá lag e tinha 579 issues abertas no GitHub em 10/10. O README diz com todas as letras que ele ainda não substitui o Photoshop no trabalho profissional do dia a dia.

Pelo menos o ritmo é absurdo. A versão 0.1.0 saiu em 1º de outubro (horário de Brasília) e a 0.6.0 saiu na noite de 9/10. A Digital Trends contou 230 contas contribuindo nos sete repositórios até 9 de outubro.

O que a galera que testou está dizendo

A empolgação existe, mas quem abriu o app pra trabalhar voltou com o pé no chão. No Hacker News, um usuário que largou o Creative Cloud disse que o PhotoCraft finalmente parece uma alternativa promissora ao GIMP no Linux, mesmo faltando muita coisa. Outra usuária abriu o menor projeto profissional que tinha, só com formas, texto e poucos smart objects. Contou que já estava melhor que alguns dias antes, mas ainda muito lento e cheio de bugs pequenos.

O teste do TechRadar, feito na 0.2.1, foi mais duro. O app não abriu HEIC, a seleção não segurava e o projeto acabou salvo como JPG. Parte disso já mudou, porque o README diz que as builds oficiais agora leem HEIC. O Gavin Herman também testou os clones de Photoshop, Premiere e After Effects pra ver se algum substitui a Adobe:

Dá pra cancelar a Adobe hoje?

Depende muito de quem você é.

Se você é designer freela que recebe PSD de agência, usa plugin, Preenchimento Generativo ou fluxo de impressão, não cancele. O próprio projeto diz que a troca de PSD com o Photoshop ainda não é confiável o bastante pra sair do alfa. Estragar arquivo de cliente sai mais caro que a mensalidade.

Se você só recorta, ajusta cor, tira fundo e monta thumb ou meme, vale testar com calma. A Digital Trends usou pra edições simples, inclusive remover fundo, e funcionou. Só que pra esse público já existem opções maduras e grátis, como o Photopea no navegador, o Krita e o GIMP. O PhotoCraft ganha delas se você já tem o Photoshop na memória muscular.

Se você usa Linux, aí sim a conversa muda. A Adobe nunca lançou Photoshop pra Linux, e um app nativo com cara de Photoshop que abre PSD é algo que essa galera pede há anos. Eu instalaria hoje e manteria o GIMP ou o Krita do lado.

Como instalar o PhotoCraft

O jeito mais fácil é a página oficial do PhotoCraft. Lá tem o ArtCraft Launcher, que instala e atualiza todos os apps do pacote, ou o instalador avulso só do PhotoCraft. Não precisa criar conta nem ficar online.

Quem quer a versão mais nova pode baixar direto dos releases no GitHub. No Windows tem .msi e versão portátil, no Mac tem um .dmg assinado, e no Linux tem AppImage, .deb, .rpm, Flatpak e tarball. Quem tem Rust 1.90 ou mais novo pode compilar: clone o repositório e rode cargo run --release -p photocraft.

Duas dicas práticas. Pra deixar em português, vá em Edit, Preferences, Interface, Language. No Linux com Wayland, arrastar arquivo pra janela ainda não funciona, então use Arquivo, Abrir ou cole a imagem com Ctrl+V.

Vibe coding, clean-room e Adobe: vai dar processo?

O Thomas jura que não é um “vibe coder casual” e diz que usa Rust há uns dez anos. Mas ele mesmo se complicou. Segundo o Ars Technica, ele disse no Reddit que ia chegar a 100% de paridade em um mês. Depois disse que tinha feito o Photoshop inteiro de uma vez e decretou que “o software acabou”. Dias depois, no Hacker News, já falava em meses.

Na parte jurídica, “clean-room” quer dizer que o código foi escrito a partir de documentação pública e do comportamento observado do programa, sem usar código da Adobe. Isso costuma proteger contra acusação de cópia de código. A PetaPixel lembra que a Adobe tem milhares de patentes, e o Ars aponta outro risco: imitar demais a aparência do Photoshop pode virar briga de identidade visual (trade dress). Ninguém foi processado até agora, mas quem vai usar no trabalho deve saber que essa dúvida existe.

E tem o dinheiro. O PhotoCraft é grátis, mas o ArtCraft vende planos com créditos de IA generativa, e é isso que banca o projeto, segundo o próprio Thomas. Hoje esses recursos nem estão no PhotoCraft, como notou o OMG! Ubuntu. Não vejo problema nesse modelo, só vale saber de onde vem a grana.

Meu veredito

O PhotoCraft é o projeto open source mais interessante que vi esse ano pra quem é criativo e odeia assinatura. O README é honesto sobre os limites, a comunidade já está consertando bug e a tradução pra PT-BR veio de brasileiros. Hoje ele é um alfa promissor que eu usaria pra brincar, aprender e fazer edição simples, nunca pra entregar trabalho de cliente com prazo. Instala, testa, abre um issue se der bug, e cancela a Adobe só quando o seu fluxo de trabalho inteiro rodar nele sem susto.

Perguntas rápidas sobre o PhotoCraft

O PhotoCraft é de graça mesmo?

Sim. O app é open source (MIT ou Apache-2.0) e não pede conta nem assinatura. O ArtCraft vende créditos de IA à parte, mas o PhotoCraft funciona sem eles.

O PhotoCraft abre arquivo PSD?

Abre e salva, com camadas. Nos testes do projeto, 307 de 309 arquivos ficaram iguais depois de salvos de novo, mas usuários relatam erros com smart objects.

Tem PhotoCraft em português?

Tem. A tradução pra português do Brasil entrou na versão 0.5.0 e dá pra ativar nas preferências de interface.

O PhotoCraft tem IA generativa como o Photoshop?

Ainda não. Não há Preenchimento Generativo nem filtros neurais. A seleção automática de objetos funciona no seu computador, sem nuvem.

Imagem: ArtCraft/PhotoCraft. Captura oficial da interface do PhotoCraft editando A Grande Onda de Kanagawa, de Hokusai (domínio público), via GitHub.

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