Família Steam: divida seus jogos com até 5 pessoas
A Família Steam deixa até seis pessoas da mesma casa jogarem a biblioteca umas das outras, cada uma com seu save e suas conquistas. Como criar, quem pode entrar, o que fica de fora e as duas regras que pegam muita gente: a espera de um ano e o banimento que cai no dono do jogo.
Pensa numa casa com dois gamers. Um comprou Hades num desconto, o outro tem Portal 2 parado na biblioteca há anos. Com a Família Steam, cada um passa a ter o dobro de jogos sem gastar um real a mais. A Valve liberou o recurso pra todo mundo em setembro de 2024, e ainda tem muita gente sem usar porque acha que é só controle parental.
Ela junta as bibliotecas de até seis contas que moram na mesma casa. Você continua dono do que comprou, mas os outros membros enxergam e jogam tudo que pode ser compartilhado. Se você já usa a wishlist da Steam pra decidir o próximo jogo, vale combinar com quem mora com você antes de comprar, porque às vezes o jogo já está na biblioteca de alguém da família.
O vídeo oficial da Steam abaixo mostra as telas em menos de dois minutos. Depois dele eu explico as regras que o vídeo passa rápido demais e que pegam muita gente desprevenida.
O que mudou em relação ao compartilhamento antigo
Quem usou o antigo Compartilhamento de Biblioteca lembra do problema. Bastava alguém abrir qualquer jogo seu pra biblioteca inteira travar, e se você quisesse jogar outra coisa, quem estava de fora era derrubado. Pra família com dois ou três gamers, isso gerava briga toda noite.
Na Família Steam a lógica é por cópia. O próprio guia de suporte da Valve dá o exemplo: se você tem Portal 2 e Half-Life, um membro pode jogar um enquanto outro joga o segundo, ao mesmo tempo. O que não dá é duas pessoas no mesmo jogo com uma cópia só. Aí alguém precisa comprar a segunda, e a partir disso a família passa a ter duas licenças e as duas pessoas jogam juntas.
Cada membro mantém o próprio progresso. Save, conquistas e arquivos da Oficina ficam na conta de quem está jogando, mesmo que o jogo pertença a outra pessoa. E os jogos compartilhados rodam offline também, o que ajuda quando a internet cai bem na hora.

Como criar a sua família na Steam
O caminho mais rápido é pelo cliente no PC. Abra a Steam, vá em Configurações e procure a aba Família e compart., onde fica a opção de criar ou entrar numa Família Steam. Dê um nome pro grupo e clique em convidar membro. A pessoa precisa estar na sua lista de amigos, e você escolhe se ela entra como adulto ou criança.
A diferença entre os dois é grande. Adulto pode convidar, expulsar e mexer nas regras. Criança fica sujeita aos controles parentais, que deixam você escolher quais jogos ela vê, limitar o tempo de tela por dia e até aprovar pedidos de compra pelo celular. Se o convite chegar pra você como criança por engano, não aceite, porque criança não consegue sair sozinha da família.
Depois que todo mundo entra, a biblioteca ganha uma seção chamada Família Steam. Se preferir os jogos dos outros separados dos seus, ative a opção de agrupar por biblioteca no menu acima da lista.
O que fica de fora da biblioteca compartilhada
Nem tudo entra no bolo. Jogos gratuitos e qualquer compra feita dentro deles não são compartilhados, então aquela skin de Counter-Strike continua só sua. Também ficam de fora jogos que pedem conta ou assinatura de terceiros, títulos com trava regional, jogos que não rodam no sistema do outro membro e tudo que a distribuidora marcou como não compartilhável.
Tem ainda um detalhe com DLC. Quando você abre o jogo de outra pessoa, recebe as DLCs que ela tem e que podem ser compartilhadas. Só que, se você trocar de cópia no meio do caminho e a nova tiver um conjunto diferente de expansões, o save pode não funcionar. Escolha a cópia mais completa logo no começo e evite trocar depois.
As duas regras que pegam muita gente
A primeira é a da casa. A Valve diz com todas as letras que a família é pensada pra até seis parentes próximos morando no mesmo lugar, e a Steam olha a atividade da conta pra conferir isso. Num tópico do fórum oficial, um usuário reclamou que não conseguia entrar na família da irmã porque os dois moram em cidades diferentes. Tem gente ensinando jeitinho pra burlar isso, só que você estaria indo contra a regra de um recurso que a Valve avisa que pode mudar a qualquer momento.
A segunda é a do tempo. Um adulto pode sair quando quiser, mas só cria ou entra em outra família um ano depois de ter entrado na anterior. E a vaga que ele deixou também fica presa por um ano. Ou seja, montar a família com o colega de faculdade e trocar no semestre seguinte não funciona. A boa notícia é que, se você sair sem querer, pode voltar pra mesma família na hora, desde que ela tenha menos de seis pessoas.
E tem um aviso que eu colocaria em letra grande. Se alguém da família for pego trapaceando num jogo que é seu, o banimento do VAC cai na sua conta, que é a dona da cópia. Os outros membros não são afetados. Por isso só convide quem você confia de verdade.
E se a turma quer um jogo novo e gratuito pra testar junto, o Soulframe abre de graça pra todo mundo no PC em 6 de novembro.
Vale a pena montar agora?
Pra quem divide casa com outro gamer, vale muito. O ganho aparece na hora de comprar: em vez de cada um ter a própria cópia de tudo, vocês combinam quem compra o quê e só duplicam os jogos que querem jogar juntos ao mesmo tempo. Se a ideia é jogar lado a lado na mesma tela, um controle sem fio do Xbox resolve, porque a Steam reconhece direto por Bluetooth ou cabo. Estava R$ 355,30 e em estoque quando conferi, e costuma ser o controle que menos dá dor de cabeça no PC.
Esse esquema combina bem com a mania de jogar co-op local no sofá, e também deixa mais fácil decidir entre mídia física ou digital, já que o jogo digital passa a valer pra casa toda. Quem mora sozinho ganha bem menos, e aí faz mais sentido continuar caçando promoção com calma.
E se a família quiser levar a biblioteca pra outra tela, dá pra jogar os jogos do PC no celular sem pagar nada. Na sua casa, quantas cópias repetidas do mesmo jogo vocês já compraram?
Imagem de capa: biblioteca compartilhada da Família Steam, via anúncio oficial da Valve
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