Black no PC: como jogar o FPS da Criterion no Windows
O Black PC Port, de Spark198rus, recompila o Black de Xbox e roda nativo no Windows 10/11, em até 4K, com mouse e teclado. É grátis, mas exige sua cópia NTSC-U do jogo de Xbox. Veja requisitos e passo a passo.
Black, aquele FPS de 2006 em que cada tiro parecia derrubar meio prédio, finalmente tem versão de PC. Quem fez foi um fã, sem nenhuma participação da EA: o port pega o código original do jogo de Xbox e roda direto no Windows, em até 4K, com mouse e teclado.
O projeto apareceu no GitHub na quarta (14), o arquivo da versão 0.2.0 já passou de 10 mil downloads e o assunto chegou na imprensa brasileira neste fim de semana. Se você gastou horas no PS2 explodindo tudo com a Criterion, tem um detalhe que muda tudo, e ele está mais abaixo.
O que é o Black PC Port
O Black PC Port, assinado pelo desenvolvedor Spark198rus, é um port nativo não oficial feito a partir da versão norte-americana (NTSC-U) do jogo de Xbox. O executável black.exe carrega o default.xbe do seu próprio disco e roda o código x86 original diretamente no PC, com uma camada que traduz o resto pro Windows. Como dispensa o emulador tradicional, pesa pouco e responde rápido.
A técnica é a mesma onda de “recomp” que vem tirando clássicos de console da prateleira: o código do jogo é reaproveitado, e o projeto não distribui nenhum dado do jogo. O TecMundo resumiu bem: dá pra jogar no Windows, mas você precisa de uma cópia original.
O que o port entrega, segundo o README oficial:
- Resolução de 720p a 4K (ou mais), widescreen 16:9 e campo de visão ajustável;
- 60 fps por padrão, ou os 30 fps originais;
- Mouse e teclado com teclas configuráveis, além de controle XInput;
- Menu de configurações de PC dentro do próprio jogo, tela cheia sem bordas, reverberação de ambiente e mira assistida desligada por padrão;
- Correções de defeitos que a resolução baixa do Xbox escondia, como emendas piscando em objetos destrutíveis.
Um alerta sobre os números que estão circulando: algumas matérias falam em 120 fps, mas a documentação oficial só cita 60 e 30. E o próprio autor avisa que o jogo foi feito pra 30 fps, então a 60 alguma coisa ainda pode rodar na velocidade errada. Se notar física estranha, volte pra 30.
O detalhe que vai frustrar muita gente
Aqui no Brasil, Black foi jogo de PS2. E o port não aceita o disco de PS2. Ele só funciona com a versão de Xbox original norte-americana, e o arquivo default.xbe precisa bater exatamente com o hash SHA-256 que o autor publica. Disco europeu, japonês ou qualquer outra build não roda.
Tirar a imagem de um disco de Xbox original também não é tão simples quanto copiar um DVD no PC. Quem não tem um Xbox preparado pra isso vai esbarrar nessa etapa antes de chegar no menu do jogo.
O que a galera está achando
A recepção lá fora é bem positiva. O canal Video Game Esoterica chamou o port de “recomp muito boa” e disse que vale conferir, e o criador justjamie publicou guia de instalação com gameplay chamando de provavelmente o melhor port melhorado por recompilação do jogo. Também teve gente perguntando como ele roda em hardware atual, e a documentação ajuda: o port pede só uma placa com Direct3D 9, e até notebook antigo com Intel HD 4400 roda, a 30 fps.
Se quiser ver a instalação passo a passo e o jogo rodando, o canal IgorL – Emulation Guides tem um guia em vídeo.
Como baixar e testar
Requisitos no Windows: Windows 10 ou 11 de 64 bits (o programa é 32 bits), placa de vídeo com Direct3D 9 e Shader Model 3. Não precisa instalar mais nada. Requisito do jogo: sua cópia NTSC-U de Black para Xbox original.
- Faça a imagem (ISO) do seu disco NTSC-U e extraia com o extract-xiso (
extract-xiso -x Black.iso). Renomeie a pasta extraída paragame. - No PowerShell, rode
Get-FileHash game\default.xbe -Algorithm SHA256e confira se o resultado é igual ao hash publicado no README. Se não for, essa build não é suportada. - Baixe o zip na página de releases oficial e extraia ao lado da pasta
game, de modo que a pastaportfique do lado dela. - Abra
port\black.exe. As opções de vídeo, controles e áudio ficam em Options > PC SETTINGS, dentro do jogo.
No Linux: o README traz um guia com Distrobox (contêiner Ubuntu 22.04), WineHQ 9 Staging e DXVK 1.10.3, com placa compatível com Vulkan 1.1. Funciona, mas é coisa pra quem já tem intimidade com terminal.
Cuidados: baixe só do GitHub do autor. Port de jogo antigo que vira notícia costuma ganhar “versão completa com o jogo incluso” em site aleatório, e é ali que mora o malware. O projeto não distribui o jogo e é ilegal baixar a ISO de terceiros. O save, as configurações e o log ficam todos na pasta port, então é fácil fazer backup ou apagar tudo.
Por que isso importa pra você
Black nunca saiu no PC e nunca ganhou remaster. A EA não tem interesse aparente em mexer nele, e o jogo só sobrevivia em emulador de PS2 e na retrocompatibilidade do Xbox. Agora ele roda nativo, com resolução e controles de 2026, e isso só aconteceu porque a comunidade fez. É a mesma lógica que a gente viu com o AnyPS5 convertendo jogos de PS5 pro PC e com o PS5SX2 rodando disco de PS2 no PS5.
A própria Microsoft percebeu o movimento e criou um laboratório pra isso, como a gente contou no post sobre o Xbox Labs e os portes e decompilações com IA. E é exatamente o tipo de caso que dá argumento pra quem defende que jogo comprado deveria continuar jogável, discussão que voltou com o Power To The Players Act.
Minha opinião
Gosto muito desse modelo de “traga seu disco”. Ele respeita quem comprou o jogo, não entrega nada de graça pra quem não comprou e ainda melhora a experiência original. O ponto fraco é a exigência da versão de Xbox americana, que deixa de fora justamente o público que jogou Black no PS2 por aqui. Ainda assim, pra quem tem o disco guardado, é a melhor forma de rever o jogo hoje, e um lembrete de que preservação de game no Brasil e no mundo anda nas mãos de fã. Se você joga clássico de navegador, vale também o nosso guia de Halo, GTA Vice City e Black Ops no navegador.
Imagem: Black rodando no port de PC, thumbnail do canal IgorL – Emulation Guides no YouTube
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