Bolsa dispara após 1º turno: o que esperar de dólar e juros
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Bolsa dispara após 1º turno: o que esperar de dólar e juros

EWZ sobe quase 10% no after-hours e ~11,9% no pré-mercado após Flávio 47,03% x Lula 45,16%; analistas veem bolsa em alta, real forte e juros em queda.

O mercado brasileiro abre hoje com a reação já desenhada lá fora. O EWZ, principal ETF de ações brasileiras em Nova York, chegou a subir quase 10% no after-hours de domingo e seguia em alta forte no pré-mercado desta segunda (05/10), depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Lula (PT).

Este texto fala do efeito nos investimentos, não de quem deve ganhar a eleição. Os números vêm do Broadcast com dados do TSE (05/10/2026), do g1 (05/10/2026), da InfoMoney (04/10/2026) e do Money Times (05/10/2026).

O resultado que mexeu no preço

Com 100% das seções totalizadas, Flávio teve 47,03% dos votos válidos (56.104.503 votos) e Lula, 45,16% (53.879.538). A diferença ficou em 2.224.965 votos. Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro. O que surpreendeu o mercado foi a distância: segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, ouvido pela InfoMoney, as últimas pesquisas apontavam empate técnico, com ligeira vantagem para Lula.

O que já se moveu

O EWZ fechou o pregão regular de sexta a US$ 38,19, alta de 2,83%. No after-hours de domingo, às 23h50 de Brasília, era negociado a US$ 42, alta de 9,98%, segundo o g1. Em Tóquio, um fundo que acompanha o Ibovespa abriu a segunda em alta de 9,40%, a 322 ienes. No pré-mercado das 6h50, o Money Times registrava o EWZ em alta de 11,89%, a US$ 42,73.

Vale lembrar o ponto de partida. Na sexta (02/10), o Ibovespa já tinha subido 2,63%, para 192.114,55 pontos, maior nível desde abril, com alta de 4,7% na semana. O dólar à vista fechou a R$ 5,2165. Parte do otimismo, portanto, já estava no preço antes da urna.

O que os analistas esperam para hoje

O consenso das casas ouvidas é de bolsa em alta, real mais forte e juros futuros caindo. Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, disse ao g1 e à InfoMoney que, pelas hipóteses de transferência de votos, “seria muito difícil Lula vencer o segundo turno” e que espera “alta forte da bolsa, valorização do real e fechamento dos juros nominais e reais”. Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, aposta que a mudança mais importante estará na curva de juros, principalmente nos vencimentos longos, onde está o prêmio ligado ao risco fiscal.

Na renda fixa, Mendes aponta que prefixados e títulos IPCA+ longos tenderiam a se valorizar por marcação a mercado se os juros caírem. Na bolsa, Fernando Siqueira, da Eleven, espera destaque para empresas mais cíclicas e alavancadas, como Movida (MOVI3), Simpar (SIMH3), Magazine Luiza (MGLU3) e Casa Bahia (BHIA3), além de Banco do Brasil (BBAS3), Assaí (ASAI3), Ecorodovias (ECOR3), Ser Educacional (SEER3), Equatorial (EQTL3) e Multiplan (MULT3). Sung citou uma avaliação do JPMorgan de que uma vitória de Flávio poderia destravar valorização de 28% da bolsa.

Quem tem investimento no exterior sem proteção cambial pode sentir o outro lado: real mais forte reduz o valor em reais desses ativos. Fundos com hedge cambial não sofrem esse efeito.

A ressalva que quase ninguém repete

O próprio Sung fez a ressalva mais importante: para a alta se sustentar, o próximo governo precisaria colocar ajuste fiscal e pauta econômica em prática logo na transição. “Sem isso, a expectativa se frustra e, em seis a doze meses, os ruídos podem voltar”, disse à InfoMoney. Ou seja, o movimento de hoje é aposta em expectativa, e ainda há um segundo turno inteiro pela frente, com debates e alianças que podem mudar o quadro.

Minha opinião para o investidor comum

Dia de gap de abertura é o pior dia para tomar decisão por impulso. Se o EWZ subiu 10% de madrugada, boa parte do ganho de hoje vai acontecer no leilão de abertura, antes de você conseguir clicar em qualquer coisa. Comprar ação cíclica no topo da euforia de primeiro turno é pagar o preço de quem já estava posicionado na sexta.

Também não faz sentido vender tudo achando que “o mercado errou”. Eleição em dois turnos tem três semanas de volatilidade garantida. Quem investe com aporte fixo, mês a mês, não precisa adivinhar o resultado de 25 de outubro. Precisa seguir o plano e não se assustar com o candle de hoje.

O que eu faria é revisar duas coisas. Primeiro, se sua carteira está concentrada demais em um só cenário político, seja qual for. Segundo, se você tem dinheiro em dólar sem hedge que pretende usar no curto prazo, porque um real mais forte reduz o valor desse dinheiro quando convertido. Fora isso, o melhor movimento costuma ser nenhum.

Agenda de hoje

Além da eleição, a segunda tem Boletim Focus às 8h25 e PMI de serviços do Brasil às 10h, horários de Brasília. A China está em feriado, o que reduz a liquidez global. No exterior, o petróleo Brent operava perto de US$ 101,90 e os futuros de Nova York em leve queda no começo da manhã, segundo o Money Times.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Cada carteira tem prazo, objetivo e risco próprios.

Quanto o EWZ subiu depois do primeiro turno?

Quase 10% no after-hours de domingo (US$ 42) e cerca de 11,9% no pré-mercado de segunda (US$ 42,73).

Qual foi o resultado do primeiro turno?

Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%. O segundo turno é em 25 de outubro.

O que pode acontecer com o dólar?

Analistas esperam real mais forte com entrada de capital estrangeiro, mas a direção depende do segundo turno e de medidas fiscais concretas.

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