Orkut quer voltar contra o lixo de IA nas redes
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Orkut quer voltar contra o lixo de IA nas redes

Orkut Büyükkökten pede (08/10) que as pessoas assinem apoio à volta do Orkut, com carta contra bots e conteúdo de IA. Ainda não há app nem data.

Se você tinha depoimento, scrap com nome absurdo nos anos 2000, isso aqui é para você. Orkut Büyükkökten, o criador do Orkut, publicou uma carta pedindo que as pessoas assinem um apoio à volta da rede social, agora com um discurso declaradamente contra o que a IA está fazendo com a internet.

Segundo o TechCrunch (09/10/2026), Büyükkökten usou um post no X na quinta-feira (08/10) para chamar os usuários a visitar o orkut.com, adicionar o nome e convidar amigos. O site tem versão em português, o que não é por acaso: o Brasil foi, ao lado da Índia, onde o Orkut fez mais sucesso.

O que diz a carta do Orkut

O texto é escrito em primeira pessoa e começa com “Oi de novo. Sou eu, o Orkut.” Büyükkökten diz que viu as redes sociais “tomarem o rumo errado” depois de vinte anos otimizando tudo para capturar atenção, com feeds construídos em torno do engajamento e não da conexão.

A parte sobre inteligência artificial é a mais direta. “A inteligência artificial é uma tecnologia extraordinária, mas está dissolvendo a única premissa que tornou as redes sociais especiais e dignas de serem construídas: a de que havia uma pessoa do outro lado”, escreve. Ele cita bots, lixo de IA, deepfakes, agentes autônomos e conteúdo sintético como sintomas.

O foco da proposta são as comunidades, a marca registrada do Orkut original. “Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro”, diz a carta. Em outra seção, o site afirma que uma internet mais humana “pode usar o poder da IA para nos ajudar a formar e aprofundar amizades”, em vez de substituí-las, e resume a ideia com a frase “A IA coordena, pessoas conectam”.

Isso significa que o Orkut vai voltar?

Ainda não. O TechCrunch destaca que Büyükkökten não esclareceu se uma nova versão já está em desenvolvimento nem se ela vai ser lançada. O site também é explícito: “Assinar não reserva um nome de usuário, uma conta nem um lugar na fila”. Por enquanto, é uma campanha de apoio, com contador de assinaturas e ranking por país.

E não é a primeira tentativa. Em 2016, dois anos depois de o Google desligar o Orkut, Büyükkökten lançou o Hello, uma rede baseada em interesses em comum. O app passou de 2 milhões de downloads e fechou em 2020. Para comparação, o Orkut chegou a ter cerca de 300 milhões de usuários ativos, segundo o TechCrunch. Em 2022, ele escreveu no orkut.com que estava “construindo algo novo” e, em 2024, disse à WIRED que trabalhava numa rede social que usaria IA e aprendizado de máquina para aproximar pessoas. Essa rede ainda não saiu.

Um pouco de história

O Orkut estreou em 2004 como projeto paralelo de Büyükkökten dentro do Google. Virou febre no Brasil e na Índia, perdeu espaço para o Facebook e foi encerrado pelo Google em setembro de 2014, quando a empresa preferiu investir no Google+ e no YouTube.

Para quem viveu, o Orkut foi a primeira rede social de verdade. Era onde você descobria quem estava na sua sala, entrava em comunidade de banda, de anime, de jogo, de cidade, e participava de fóruns que hoje lembram mais um Discord do que um feed do Instagram.

Minha opinião: o diagnóstico é bom, a execução é a dúvida

Eu concordo com boa parte da carta. A troca de comunidades por feeds algorítmicos mudou o jeito como a gente usa a internet, e não para melhor. Comunidade tem regra, tema, moderação e gente que volta todo dia. Feed tem recomendação, vídeo curto e uma métrica de tempo de tela. E o volume de conteúdo gerado por IA nas plataformas atuais só piora a sensação de não saber com quem você está falando.

O problema é que nostalgia não é produto. O Orkut original funcionou porque chegou primeiro, num momento em que quase ninguém tinha outra opção. Hoje, qualquer rede nova precisa competir com WhatsApp, Instagram, TikTok, Discord e Reddit, todos com efeito de rede gigante. E o próprio Büyükkökten já tentou uma vez com o Hello, sem conseguir escalar.

Também acho curioso que uma campanha contra a IA nas redes proponha usar IA para “coordenar” conexões. Pode ser uma ideia boa, como ferramenta para sugerir comunidades ou eventos. Mas é exatamente esse tipo de promessa que as grandes plataformas fizeram antes de virar máquina de engajamento. Vou querer ver como isso funciona antes de acreditar.

Vale assinar?

Se você tem saudade e quer mandar um recado, assinar não custa nada. Só leia o formulário com atenção. O site pede idade (é preciso ter mais de 18 anos), nome, país e e-mail, e tem um campo opcional de telefone. Há uma caixa separada, também opcional, para aceitar mensagens de marketing da Orkut, Inc. por SMS ou WhatsApp. O próprio site diz que aceitar não é necessário para assinar. Se a sua ideia é só apoiar, dá para deixar telefone e marketing de fora.

De resto, é esperar. Uma campanha de assinaturas mede interesse, mas não diz nada sobre produto, data ou modelo de negócio. Quando aparecer um app de verdade, aí sim vale a pena olhar com calma.

Perguntas rápidas sobre a volta do Orkut

O Orkut vai voltar?

Não há confirmação. O criador está coletando apoio no orkut.com, mas não disse se uma nova rede está em desenvolvimento.

Assinar no orkut.com cria uma conta?

Não. O site informa que assinar não reserva nome de usuário, conta nem lugar na fila.

Quando o Orkut acabou?

O Google encerrou o Orkut em setembro de 2014.

Qual a relação com IA?

A carta critica bots, deepfakes e conteúdo sintético nas redes atuais e propõe uma rede em que a IA ajude a conectar pessoas reais, sem substituí-las.

Imagem de capa: captura da página da campanha em orkut.com (10/10/2026).

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