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Foto feita por IA? Como checar no detector do Google
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Foto feita por IA? Como checar no detector do Google

O Google abriu pra todo mundo o SynthID Detector, que procura a marca d'água invisível de IA do Google, OpenAI, NVIDIA e Kakao em fotos, vídeos e áudios. Como usar de graça, o limite de 10 checagens por dia, a alternativa em português no Gemini e por que um resultado negativo não prova que a foto é real.

Toda semana aparece no grupo da família uma foto boa demais pra ser verdade. Um guaxinim jantando na varanda, um político num lugar onde ele nunca esteve, um famoso segurando um produto que ele nunca usou. Até pouco tempo, o jeito de tirar a dúvida era olhar os dedos da pessoa e torcer pra IA ter errado alguma coisa.

Só que os geradores pararam de errar dedo, e aí o olho deixou de ser suficiente. A boa notícia é que em 7 de outubro o Google abriu pra qualquer pessoa o SynthID Detector, um site que procura uma marca d’água invisível que várias empresas de IA já colocam nos arquivos que geram. Se você já leu o nosso guia ético de geradores de imagem com IA, este texto é o outro lado da moeda: como descobrir quando a imagem veio de um deles.

O detector funciona, e eu vou mostrar o passo a passo. Mas ele tem um limite que muita gente vai ignorar, e é justamente esse limite que decide se você vai acertar ou passar vergonha no grupo.

O que o SynthID procura

O SynthID é uma marca d’água que fica escondida nos pixels da imagem e do vídeo, ou na própria onda sonora no caso do áudio. Você não enxerga nem escuta nada, e ela continua lá mesmo depois de redimensionar ou comprimir o arquivo. Segundo o anúncio do Google, mais de 180 bilhões de imagens e vídeos já saíram marcados, além de 240 mil anos de áudio.

A mudança de agora está em quem o detector reconhece. Antes ele só achava a marca do próprio Google, então uma imagem do ChatGPT passava batido mesmo carregando o sinal. A versão nova lê também as marcas da OpenAI, da NVIDIA e da Kakao, e o Google diz que a da Apple entra em seguida. A própria Google DeepMind explica a ideia num vídeo curto no canal oficial:

Como usar o SynthID Detector

O caminho é simples. Você entra em synthid.com, faz login com uma conta Google, OpenAI ou Apple e aceita os termos de uso. Depois é só arrastar a imagem, o vídeo ou o áudio pra caixa de envio e esperar a resposta.

Se a marca aparecer, a tela mostra “SynthID was detected” e diz de qual empresa ela veio, com o aviso de que o arquivo pode ter sido editado depois. O próprio site pede pra você mandar o arquivo na melhor qualidade que tiver. Então, se a foto chegou pelo WhatsApp, vale procurar a versão original no perfil de quem postou antes de subir um print borrado.

Tem duas pegadinhas. O site está só em inglês por enquanto, e cada conta tem uma cota de mais ou menos 10 checagens por dia, segundo a Ars Technica. O Google limita de propósito, porque quem tenta criar removedor de marca d’água precisa testar milhares de vezes, e a cota pode cair mais cedo se você mandar várias imagens muito parecidas em sequência.

Prefere em português? Pergunte ao Gemini

O app do Gemini também faz a checagem, e responde em português. Você anexa o arquivo e pergunta algo como “isso foi criado ou editado com IA do Google?”. A ajuda oficial fala em um arquivo por vez, até 100 MB, e vídeo com menos de 90 segundos.

O detalhe é que o Gemini só procura a marca do Google. Pra uma imagem que pode ter saído do ChatGPT, o site do detector é o lugar certo. E se for print de tela, recorte bem rente à imagem antes de enviar, porque a borda do app e o texto em volta atrapalham a leitura.

Por que “não detectado” não quer dizer foto real

Essa é a parte que mais vai gerar confusão. O próprio site avisa que não é um detector geral de IA. Ele só reconhece a marca de quem aderiu ao SynthID, e boa parte das imagens falsas que circulam não vem dessas empresas.

A Meta usa outra tecnologia de marca d’água. Os modelos abertos, que qualquer um roda no próprio computador, não colocam marca nenhuma, e a gente já mostrou aqui como o PhotoCraft roda IA de imagem de graça no PC. Edição pesada também pode apagar o sinal. E em novembro do ano passado o site japonês GIGAZINE mostrou que o Gemini chegou a se guiar pelo nome do arquivo na hora de responder, o que é ótimo motivo pra não tratar a resposta da IA como laudo.

Então a leitura certa é assimétrica. Marca encontrada é um sinal forte de que teve IA no meio. Marca não encontrada não diz nada sobre a foto, só que ela não veio de uma dessas empresas ou que perdeu o sinal pelo caminho.

Nem todo conteúdo de IA quer enganar, aliás. O perfil @amelhoresuacasa avisa logo no topo que é gerado por IA, e mesmo assim o reel dele sobre aquecer água com composto passou de 440 mil visualizações.

Content Credentials, a etiqueta de origem

Existe uma segunda ferramenta que olha pro problema ao contrário. Em vez de marcar o que é falso, o padrão C2PA, conhecido como Content Credentials, registra de onde o arquivo veio: qual câmera tirou, em qual app passou e que edições sofreu. Os Pixel do Google já assinam as fotos assim na hora do clique, e algumas câmeras profissionais também.

Dá pra conferir isso na página de inspeção do Content Credentials, que já abre em português e aceita JPEG, PNG, HEIC, MP4, MP3 e outros formatos. Se aparecer “nenhuma credencial”, de novo, não prova nada, porque redes sociais e prints costumam arrancar esses dados do arquivo.

Página de inspeção do Content Credentials em português, com área para enviar a imagem
A página de inspeção do Content Credentials, em português. Captura via Content Authenticity Initiative

A checagem de 2 minutos antes de repassar

Juntando tudo, a rotina que eu uso fica assim. Primeiro procuro a fonte original, porque foto real de evento grande quase sempre aparece em mais de um veículo e uma busca reversa no Google Lens resolve isso rápido. Se não achar, subo o arquivo no SynthID Detector e, pra quem tem celular recente, olho também o Content Credentials.

Se tudo vier vazio, a resposta honesta é “não sei”, e “não sei” já é motivo suficiente pra não repassar. É a mesma lógica que a gente usa pra identificar WhatsApp falso na Play Store: na dúvida, não clica e não compartilha.

Se você quer entender por que a mentira bem feita corre tão mais rápido que a correção, o Nexus, do Yuval Noah Harari, estava R$ 64,16 na Amazon quando conferi e conta essa história desde a época em que informação era pedra entalhada até chegar na IA. É uma leitura que deixa o detector do Google com cara de ferramenta pequena pra um problema enorme, o que, sinceramente, ele é.

E você, já caiu em alguma foto de IA no grupo da família, ou foi você quem desmascarou? Testa o detector com a próxima imagem suspeita e conta aqui o que ele respondeu.

Imagem de capa: demonstração oficial do SynthID Detector, via Google

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