Factorio 2.1 estável: o que muda na última grande update
A Wube marcou o Factorio 2.1 como estável, a última grande atualização do jogo depois de 14 anos. Foguetes com itens misturados, descarga direta do landing pad, biters mais espertos, gráficos novos e versão pra ARM64. Veja o que muda e o cuidado antes de atualizar.
Depois de 14 anos de desenvolvimento, o Factorio recebeu a última grande atualização da vida dele. A Wube Software marcou a versão 2.1 como estável nesta sexta (23), exatamente dois anos depois do lançamento da expansão Space Age, e quem ficou esperando na 2.0 agora recebe tudo de uma vez.
Se você é do tipo que perde a noite otimizando esteira (ou se divertiu com o Fab24hr, o jogo de fábrica de chips no navegador), vale ler antes de clicar em atualizar. A 2.1 mexe em coisa que pode quebrar a sua fábrica atual, e não dá pra voltar atrás depois.
Por que essa é a última grande atualização
A Wube avisou em maio que a 2.1 seria o último patch grande do jogo, porque o Factorio tinha chegado “a um bom lugar pra encerrar o desenvolvimento ativo”, como contou a PC Gamer. Ainda podem sair correções menores. O estúdio também disse que trabalha em protótipos de coisas novas, mas que não vai ter nada pra mostrar por muito tempo.
Por isso, não espere planeta novo. No próprio Friday Facts #449, a Wube repete que a 2.1 não traz planetas, inimigos ou árvores de pesquisa novas. É um pacote grande de qualidade de vida, recursos pequenos, polimento e das coisas que a equipe queria ter colocado na 2.0 e não deu tempo. A empresa ainda atualizou o trailer clássico do jogo uma última vez:
O que muda na logística espacial
É onde a 2.1 mais pesa pra quem joga a Space Age. Os foguetes agora levam itens diferentes no mesmo lançamento, então acabou aquela história de mandar uma pilha cheia de cada coisa só pra montar uma plataforma pequena. Se você deixar o campo “Import from” vazio, a plataforma puxa o item de qualquer planeta disponível, o que ajuda muito com combustível, munição e kits de reparo.
As plataformas também passam a pedir e entregar itens umas pras outras em órbita, e o hub delas pode ser controlado pela rede de circuitos. Tem ainda um modo novo do radar que troca sinais entre planetas e plataformas num canal compartilhado.
Aí vem a peça que eu acho que mais gente vai usar: a unloading bay. É uma baia de carga especial, colocada perto do landing pad, de onde os inseridores conseguem tirar itens. Dá pra descarregar o que chega do espaço direto em trem, baú ou esteira, e trilho elevado agora pode passar por cima das baias de carga.

O voo das plataformas também mudou. O dano dos asteroides passou a depender da vida que sobrou no asteroide, e não da velocidade, o que deixa tudo mais previsível. O hub ficou mais resistente, e o arrasto agora é calculado pela massa da nave. Na prática, a famosa nave em formato de lápis, comprida e fininha, deixou de ser o único jeito de andar rápido.
Circuitos, Quality e fluidos
Na rede de circuitos, leitura e escrita podem ir pra fios de cores diferentes, o que substitui aquela gambiarra de autossubtração que todo mundo copiava de tutorial. Laboratórios escolhem a pesquisa por condição de circuito, caldeiras e trocadores de calor entram na rede (bom pra montar energia de reserva), minas terrestres viram sensor de inimigo e até os canos ganharam conexão e uma tela nova.
A mudança que deve render mais discussão é a do Quality. Dá pra jogar a Space Age sem ele agora: o reciclador virou um mod separado e o Quality passou a ser uma dependência recomendada, ligada por padrão. Pra quem gosta, locomotivas e vagões também ganham qualidade, com trens mais rápidos e vagões maiores. E o “cassino espacial” fechou, porque os módulos de qualidade não funcionam mais no reprocessamento de asteroides.
Os fluidos receberam um conserto que a comunidade pedia havia tempo. Canos com fluidos diferentes não se juntam mais, o jogo só avisa. O fluxo também escala direito em vazão alta, coisa que estava estranha com máquinas lendárias. Pumpjacks e mineradores a carvão podem ser espelhados, e o jogo mostra uma seta indicando em qual faixa da esteira a máquina vai soltar o item.
Biters, gráficos e Raspberry Pi
Os biters foram revistos por inteiro. Os grupos que saem pra montar ninho novo crescem junto com a evolução, e a ideia da Wube é que cada expansão seja um desafio de verdade, e não um monte de ninho pequeno e chato espalhado pelo mapa. Explorar o mapa cedo não reduz mais as expansões perto da base, e os bichos escolhem lugares mais naturais pra montar ninho.
Também saiu a última grande leva de gráficos: máquinas de montagem, refinaria de petróleo, silo de foguete e trocador de calor novos, torre lança-chamas na diagonal e planetas aparecendo no fundo das plataformas. A bomba ganhou um sistema de desenho que encaixa no vagão de fluido “não importa o quão amaldiçoada seja a sua estação”, nas palavras da própria Wube.
E o jogo agora roda nativo em Linux ARM64. Isso abre espaço pro Steam Frame, pra servidor dedicado num Raspberry Pi, pro Asahi Linux nos MacBooks com chip da Apple e, como a Wube brincou, praquela VPS grátis da Oracle que você criou uma vez e esqueceu.
Antes de atualizar: faça backup
Os saves da 2.0 abrem na 2.1, só que algumas mudanças (como a divisão de entrada e saída nos circuitos) podem quebrar designs que já estão montados. E depois de atualizar, blueprints e saves não voltam pra 2.0. Então:
- Copie a pasta de saves e exporte os blueprints que importam pra você antes de abrir o jogo atualizado. No Windows, os saves ficam em
%appdata%\Factorio\saves. - Confira se os mods que você usa já foram atualizados. A Wube diz que a maioria dos populares foi ajustada durante o período experimental, mas alguns podem não estar prontos.
- Se não tem o jogo, ele custa R$ 101,99 na Steam e a Space Age sai pelo mesmo preço. O site oficial tem demo grátis pra testar antes.
Pra rodar, a Steam pede Windows 10 ou 11, processador quad-core de 3 GHz, 8 GB de RAM e uma placa do nível de uma GTX 750 Ti. Como quase tudo no Factorio é atalho de teclado, um teclado bom faz diferença de verdade em sessão longa. Eu gosto do formato 60%, que deixa espaço pro mouse, e o Redragon Fizz K617 com switch marrom é um mecânico barato que dá conta (link de afiliado: o preço é o mesmo pra você e o blog ganha uma pequena comissão).
O que a galera está dizendo
No fórum oficial, o clima é de parabéns misturado com aquela lista de desejos que não vai mais ser atendida. Um jogador que participou dos testes contou que abriu um relato de bug que virou correção no jogo e achou isso o máximo. Outro escreveu que, depois de tantos anos e horas, continua amando o jogo. Teve quem achou a transferência entre plataformas ainda fraca e quem reclamou do limite de itens que dá pra tirar do landing pad antes de depender dos robôs, principalmente em Aquilo.
E, claro, alguém notou trilhos do modelo antigo no trailer novo e deixou só um “Legacy rails???” no tópico.
Quem gosta de acompanhar update grande de jogo de PC pode ver também o que mudou com os mods no Cyberpunk 2077 2.5 e como levar os jogos do PC pro celular de graça. E aí, vai atualizar a fábrica hoje ou vai segurar a 2.0 até terminar aquele megabase?
Imagem: imagem oficial da Wube Software, via Friday Facts #449
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