Libreboot 26.10: como baixar e instalar com cuidado
Libreboot 26.10 Ominous Olive saiu com EDK2 UEFI como padrão, suporte a Windows, 233 Chromebooks importados do MrChromebox e política anti-IA no build. O que muda e como baixar sem brickar a máquina.
Saiu o Libreboot 26.10, apelidado de Ominous Olive. O anúncio no site oficial (15 de outubro) descreve a maior virada de design em anos: payload EDK2 UEFI como padrão na maior parte das placas 64 bits, boot de Windows 10 e 11, e a importação de 233 Chromebooks do ecossistema MrChromebox. No Hacker News o post passou de 290 pontos rápido.
Libreboot é firmware livre que substitui BIOS/UEFI proprietário em máquinas suportadas. Até agora, muita gente associava o projeto a GRUB/SeaBIOS “puro coreboot”. Essa release muda o default pra UEFI de verdade, com menu de setup persistente via SMMSTORE.
O que tem de novo
Segundo o changelog oficial:
- EDK2 (fork MrChromebox) vira payload padrão na maior parte do hardware 64 bits. GRUB e SeaBIOS continuam disponíveis como builds EFI dentro do menu (ESC no boot), pra compatibilidade.
- Windows 10/11, FreeBSD em modo UEFI, OpenBSD EFI, UKIs Linux e systemd-boot foram testados em várias máquinas Libreboot.
- 233 Chromebooks Intel/AMD importados do MrChromebox. Nesta release estão source-only (você compila). Baytrail “Kip” foi testado; o resto precisa de mais testes de campo.
- Hardware novo além dos Chromebooks: OptiPlex 5050 SFF, Supermicro X11SSH-F, ThinkPad X280 e X270, OptiPlex 3040 Micro, entre outros.
- Placas AMD Fam15h (ex.: KGPE-D16) passam a usar o fork 15h.org do coreboot, com init mais confiável.
- Arquivo AGENTS.md com política anti-IA no build system. Leah Rowe dedica boa parte do texto a rejeitar código gerado por LLM no projeto.
Há avisos sérios de migração. Boards antigas só 32 bits seguem no esquema antigo. CSMWrap (SeaBIOS CSM dentro do EDK2) pode “comer” um núcleo de CPU no boot. A documentação pede leitura cuidadosa antes de flashar.
O que a galera está achando
No HN, a reação se divide. Uma parte celebra UEFI e Chromebooks como modernização necessária: finalmente dual boot Windows + Linux sem gambiarra de payload antigo. Outra parte critica o tom anti-IA do changelog como dogmático demais pra um release notes técnico. Há também quem lembre que flashar firmware continua sendo operação de risco: brick é real se a placa, o clip ou a imagem estiverem errados.
Pra quem já usa Ubuntu recente, o encaixe fica mais natural. Escrevemos sobre o Ubuntu 26.10 e sobre o Epic Games Launcher no Linux: desktop livre fica menos “só pra expert” quando o firmware também fala a língua UEFI que as distros modernas esperam.
Quem curte privacidade e hardware aberto deve cruzar com o que já cobrimos sobre dados em serviços na nuvem. Libreboot ataca outra camada: o código que roda antes do sistema operacional, incluindo desabilitar Intel ME via HAP bit no build.
Pra quem vale (e pra quem não)
Vale se você tem ThinkPad/OptiPlex/placa na lista oficial, topa abrir a máquina ou usar script de flash externo, e quer firmware auditável com boot UEFI moderno. Também vale se você quer experimentar Chromebook liberado e aceita compilar imagem source-only.
Não vale (ainda) se seu notebook não está na lista, se você nunca flasheou SPI na vida e não tem backup, ou se precisa de suporte comercial com NBD. Chromebooks “todos os 233” soam demais: na prática, só uma geração foi bem testada nesta tag.
Como baixar e testar
Requisitos: máquina na lista de hardware, programador SPI se o flash interno for bloqueado, backup da ROM original, e paciência. Errar a imagem pode deixar o PC sem vídeo e sem boot.
- Leia o changelog 26.10 inteiro e a página da sua placa. Confirme tamanho do flash (4/8/16 MB) e se a target usa EDK2.
- Baixe só dos mirrors oficiais: rsync.libreboot.org/stable/26.10/ ou mirrors linkados no site. Confira checksums publicados.
- Extraia a ROM original com flashprog/flashrom e guarde em dois lugares. Sem esse backup, recuperação fica bem mais cara.
- Siga o guia da sua placa em libreboot.org (internal flash vs clip externo). Em Chromebooks, a documentação do MrChromebox ainda é referência de instalação; Libreboot diz que os scripts devem continuar compatíveis.
- Depois do flash, no primeiro boot com EDK2 use ESC pra entrar no menu, configure ordem de boot e teste um live USB Linux antes de apagar o disco.
- Se precisar do comportamento antigo GRUB/SeaBIOS puro, o próprio anúncio explica como reeditar
target.cfge recompilar. Trate isso como legado.
Cuidado: ignore “Libreboot fácil em qualquer notebook” de forum duvidoso. Hardware fora da lista não vira suportado por torcida. E não misture imagens de releases antigas com instruções da 26.10: o default de payload mudou.
UEFI muda o dia a dia
Na prática, EDK2 significa menu de setup parecido com o de placa-mãe de desktop, boot por ESP, e menos dependência de hacks de framebuffer texto. UKI e systemd-boot passam a ser caminhos de primeira classe. Quem dual-bootava Windows em máquina Libreboot antiga conhece a dor; essa release ataca exatamente isso.
O custo é complexidade. Mais payload na flash, mais avisos de migração, e Chromebooks source-only nesta tag. Se o seu fluxo é “baixar ROM pronta e flashar no almoço”, reserve a tarde e um programador reserva. Firmware livre continua sendo hobby de alto risco com recompensa alta em controle.
Minha opinião
UEFI open source como padrão tira o Libreboot do canto nostálgico e coloca no jogo do PC moderno, inclusive Chromebook e Windows. A lista enorme de Chromebooks é ambiciosa; eu trataria como “compila e ajude a testar”, não como “plug and play em 233 modelos”. A cruzada anti-IA no changelog é barulho paralelo: o que importa pro usuário é ROM correta, ME morta e boot estável. Se você já flasheia coreboot/Libreboot, atualize com o ritual de sempre. Se nunca flasheou, comece por um OptiPlex ou ThinkPad bem documentado, não pelo Chromebook mais barato do OLX.
Imagem: ThinkPad T480 com Libreboot, via galeria oficial Libreboot
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