Ubuntu 26.10 saiu: ditado por voz offline e como baixar
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Ubuntu 26.10 saiu: ditado por voz offline e como baixar

Ubuntu 26.10 Stonking Stingray saiu hoje com GNOME 51, kernel 7.3, ditado por voz que roda no PC, drivers da NVIDIA no App Center e coreutils 100% em Rust. O que muda, pra quem vale e como baixar.

Saiu hoje cedo o Ubuntu 26.10, apelidado de Stonking Stingray. O anúncio foi pra lista oficial da Canonical às 10h59 UTC (7h59 de Brasília), e a imagem ISO já está nos servidores. Não é uma versão de suporte longo, mas traz duas coisas que muita gente pedia há anos no Linux de desktop: ditado por voz que funciona sem internet e um jeito decente de instalar driver de vídeo pela interface.

Se você está no Ubuntu 26.04 LTS e tudo funciona, a resposta curta é: talvez não precise atualizar. Mas se tem uma máquina de teste, um notebook novo ou só quer brincar com o que vem por aí, vale olhar com calma.

O que tem de novo

Segundo as notas de lançamento oficiais e o anúncio da Canonical, os destaques são:

  • GNOME 51, com animações mais suaves sob carga, brilho do monitor lembrado entre reinicializações, rotação automática em telas com acelerômetro e opção de desligar o touchpad quando você pluga um mouse.
  • Kernel Linux 7.3, com suporte inicial ao Snapdragon X2 Elite e ao AMD Zen 6, além de mais câmeras e chips de áudio da Intel.
  • Myna, uma prévia de ditado por voz. Você segura uma tecla e fala, e o texto aparece no app que estiver aberto. A transcrição roda no seu computador, sem mandar áudio pra nuvem. Não vem instalado de fábrica e ainda é experimental.
  • Drivers no App Center: uma página própria pra ver e escolher os drivers de vídeo disponíveis, incluindo as versões do driver da NVIDIA.
  • Codecs sob demanda: se você abrir um vídeo com formato não suportado, o App Center oferece instalar o codec na hora.
  • Novo menu de tiling: ao arrastar uma janela, aparece um popup com layouts pra encaixar as janelas lado a lado.
  • Coreutils 100% em Rust: os últimos comandos GNU que restavam (cp, mv e rm) foram trocados pela versão em Rust do projeto uutils.
  • Criptografia de disco com TPM agora funciona também em máquinas sem raiz de confiança em hardware, desde que você defina um PIN ou senha.
  • Novas imagens de instalação pra RISC-V e uma ISO otimizada amd64v3, feita pra processadores Intel e AMD mais recentes.

O que a galera está achando

O canal The Linux Experiment publicou o review hoje com um título que resume bem o sentimento: “uma atualização pequena, mas com coisas interessantes”. O destaque do vídeo é justamente o recurso opcional de IA (o Myna) e o tiling melhor. No Brasil, o canal Review sem MIMIMI também já resumiu as novidades em português, e é o vídeo que embutimos acima.

A troca total pro coreutils em Rust é o assunto que mais divide quem acompanha a distro. Uma parte da comunidade comemora a segurança de memória, outra lembra que versões anteriores tiveram bugs de compatibilidade em scripts antigos. Se você roda shell script de produção, teste antes. A boa notícia é que a Canonical documenta como voltar pra implementação GNU se algo quebrar.

Sobre o Myna, o ponto que mais agrada é a privacidade. Ditado por voz no Windows e no macOS costuma depender de nuvem em algum nível. Aqui, a Canonical garante que o áudio é processado na memória e descartado depois. Pra quem escreve muito ou tem alguma limitação de digitação, é a novidade mais útil da versão.

Vale atualizar?

O 26.10 é uma versão intermediária e tem suporte de só 9 meses, até julho de 2027. O 26.04 LTS, por outro lado, tem suporte até 2031. Minha recomendação:

  • Fique no 26.04 LTS se o PC é de trabalho, se você odeia mexer em sistema ou se usa criptografia de disco com TPM (a atualização direta nesse caso ainda não está liberada, segundo as notas).
  • Vá pro 26.10 se você tem hardware muito novo que precisa do kernel 7.3, se quer o ditado offline, ou se é do tipo que gosta de estar na versão mais recente e não se importa de atualizar de novo em abril.

Como baixar e testar

Requisitos práticos: PC de 64 bits, pendrive de 8 GB ou mais, uns 25 GB livres no disco e, de preferência, 4 GB de RAM ou mais pra rodar o desktop confortável. Tudo é gratuito.

  1. Baixe a ISO só no site oficial: ubuntu.com/download ou direto em releases.ubuntu.com/26.10. O arquivo é o ubuntu-26.10-desktop-amd64.iso.
  2. Confira o arquivo comparando o hash SHA256 com o que aparece na mesma página (arquivo SHA256SUMS). Isso garante que a ISO não foi adulterada.
  3. Grave no pendrive com o balenaEtcher ou o Rufus (Windows) ou com o próprio “Gravador de Imagem de Disco” se já usa Linux.
  4. Reinicie o PC e entre no menu de boot (geralmente F12, F11, F8 ou Esc, depende da placa-mãe). Escolha o pendrive.
  5. Selecione “Experimentar Ubuntu” pra testar sem instalar nada. Se gostar, clique em instalar e escolha se vai apagar o disco ou instalar ao lado do Windows.

Quem já está no 26.04: por padrão o LTS só avisa de outra LTS. Pra receber o 26.10, edite o arquivo /etc/update-manager/release-upgrades e troque Prompt=lts por Prompt=normal. Depois rode sudo apt update && sudo apt full-upgrade e, em seguida, sudo do-release-upgrade. Faça backup antes. O guia oficial de atualização está na documentação do Ubuntu Desktop.

Pra ativar o Myna: ele não vem instalado. Siga o anúncio da prévia no Discourse do Ubuntu, linkado nas notas de lançamento, e baixe os modelos de voz antes de ficar offline.

Cuidado: procure “Ubuntu download” e você vai achar site de espelho estranho cheio de anúncio. Use só os domínios ubuntu.com e releases.ubuntu.com. E lembre que dual boot sempre tem risco de bagunçar a partição do Windows, então backup não é opcional.

Minha opinião

O 26.10 não é revolucionário, e tudo bem. O que me agrada é a direção: drivers e codecs resolvidos pela interface tiram dois dos maiores sustos de quem está saindo do Windows, e o ditado offline mostra que dá pra ter recurso de IA no desktop sem entregar sua voz pra um servidor. Se você nunca testou Linux, um pendrive com o Ubuntu 26.10 em modo “Experimentar” é o jeito mais barato de matar a curiosidade hoje.

Imagem: captura oficial do Ubuntu 26.10 com o ditado Myna, via blog da Canonical

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