NVIDIA RTX Spark: o notebook ARM com GPU Blackwell
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NVIDIA RTX Spark: o notebook ARM com GPU Blackwell

Os primeiros notebooks com NVIDIA RTX Spark saem em 16/10 a partir de US$ 2.599: GPU Blackwell, CPU ARM de até 20 núcleos e até 128 GB de memória unificada. Jogos compatíveis, antitrapaça, reviews e se vale esperar no Brasil.

A NVIDIA passou décadas vendendo a placa de vídeo que vai dentro do notebook dos outros. A partir de amanhã (16), ela vende o cérebro inteiro. Os primeiros notebooks com RTX Spark, o superchip que junta GPU Blackwell, CPU ARM e memória num pacote só, começam a ser entregues, com preços a partir de US$ 2.599. E os primeiros reviews independentes saíram hoje de manhã.

É a aposta mais ousada da NVIDIA no PC desde que ela existe, e também o maior teste pro Windows em ARM até agora. Vale entender o que é, o que roda e por que você provavelmente não vai ver um desses no Brasil tão cedo.

O que é o RTX Spark

Segundo a cobertura do Canaltech, que esteve no evento da NVIDIA em São Francisco, o chip tem dois blocos ligados pelo NVLink C2C: um com a GPU Blackwell e outro com a CPU ARM (feita com a MediaTek), o controlador de memória e as entradas e saídas.

  • Versão completa: CPU de 20 núcleos (10 de desempenho e 10 de eficiência), GPU com 6.144 CUDA Cores e até 128 GB de memória LPDDR5x unificada.
  • Versão de entrada: CPU de 18 núcleos e GPU com 5.120 CUDA Cores, usada nos notebooks com 24 ou 32 GB.
  • Banda de memória de até 300 GB/s e até 1 petaflop de IA em precisão NVFP4.
  • Potência da GPU configurável pelo fabricante entre 45 W e 80 W.

A memória unificada é o pulo do gato. Em vez de a placa de vídeo ter sua VRAM separada, CPU e GPU usam o mesmo bloco de RAM. Num notebook com 128 GB, isso significa rodar modelos de IA enormes localmente, coisa impossível numa RTX de notebook comum com 8 ou 12 GB de VRAM. Pela especificação, a versão topo deve ficar perto de uma RTX 5070 dedicada em jogos, mas isso ainda precisa de teste.

E os jogos? O ARM ainda é o problema

Como a CPU é ARM, jogo feito pra x86 roda por emulação, via Prism, a camada do Windows. A NVIDIA diz que trabalhou com estúdios e com os fabricantes de antitrapaça pra isso não ser um desastre. No anúncio oficial de jogos, a empresa lista o que roda no dia 16:

  • Com antitrapaça: Counter-Strike 2, Dota 2, Fortnite, Marvel Rivals, ARC Raiders, THE FINALS, Rocket League, RUST, War Thunder, Wuthering Waves, World of Tanks e outros.
  • Single player e MMO: Cyberpunk 2077, The Witcher 3 Remastered, DOOM: The Dark Ages, Hogwarts Legacy, CONTROL Resonant, Gears of War: E-Day, World of Warcraft, Genshin Impact e mais.
  • Ainda não: Call of Duty só em 2027, PUBG no primeiro semestre de 2027, jogos com EA Javelin no começo de 2027. League of Legends e VALORANT, por enquanto, só têm promessa da Riot, sem data.

O DLSS 5 também chega no lançamento, começando por NBA 2K27. Pra quem joga competitivo de Riot ou CoD, o recado é claro: ainda não é a sua máquina.

O que os primeiros testes mostram

A promessa mais chamativa é o desempenho igual na tomada e na bateria. O Tom’s Guide, que duvidava disso, contou que viu um Surface Laptop Ultra rodando uma demo de Blender desplugado por 5 horas e meia antes do aviso de 10% de bateria, e Gears of War: E-Day com a mesma taxa de quadros dentro e fora da tomada. Em notebook gamer comum, tirar da tomada costuma derrubar o FPS pela metade.

Os reviews com o embargo liberado começaram a sair hoje. O Linus Tech Tips publicou as primeiras impressões em vídeo (embutido acima), e Notebookcheck e Micro Center também soltaram testes com jogos e IA. O próprio Canaltech lembra que os números de desempenho divulgados até aqui são da NVIDIA, não de testes independentes, então os próximos dias vão dizer se a promessa se sustenta.

Nem todo mundo está empolgado. Nos comentários do Tom’s Hardware, um leitor argumentou que, com tokens de IA na nuvem ficando cada vez mais baratos, é difícil justificar US$ 5 mil a 7 mil num notebook pra rodar modelo local. Outro resumiu que é máquina pra desenvolvedor de IA, não pra gamer.

Preços e modelos

De acordo com o Tom’s Hardware, a pré-venda nos EUA tem:

  • ASUS ProArt P14 com 24 GB: US$ 2.599 (a porta de entrada).
  • Microsoft Surface Laptop Ultra com 48 GB: US$ 3.999.
  • ASUS ProArt P16: US$ 4.499 com 64 GB e US$ 6.999 com 128 GB e 2 TB.
  • HP OmniBook X 14 e Ultra 16 com 128 GB: na casa de US$ 5.100 a 5.300.
  • Dell e Lenovo também têm modelos. Desktops compactos com 64 ou 128 GB chegam em novembro.

Dica do próprio Tom’s Hardware: as listagens chamam tudo de “RTX Spark N1X”. Leia a descrição pra saber se é a versão de 18 ou de 20 núcleos.

E no Brasil?

Não há preço nem data pro Brasil. Fazendo a conta só com câmbio na casa de R$ 5 e o imposto de importação de 60% mais ICMS, o modelo mais barato passaria fácil de R$ 20 mil se você importasse. Lançamento oficial costuma levar meses e chegar ainda mais caro.

Quem ficou no time vermelho também tem novidade: um mod grátis já permite usar DLSS 5 em placa AMD Radeon.

Vale esperar?

Pra quem quer um notebook gamer agora, não. Um modelo com RTX 5060 ou 5070 x86 roda tudo, incluindo os jogos que ainda não chegaram ao ARM, por bem menos. Pra quem trabalha com IA local, edição de vídeo ou 3D e quer bateria de verdade, o RTX Spark é a primeira alternativa Windows séria ao MacBook Pro com chip M. Minha aposta: a segunda geração, com mais jogos nativos e preço menor, é que vai fazer barulho por aqui. Por enquanto, acompanhe os reviews dos próximos dias antes de qualquer decisão.

Imagem: imagem oficial do RTX Spark dentro de um notebook, via NVIDIA

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