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Switch 2 foi desbloqueado: o que já dá pra fazer
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Switch 2 foi desbloqueado: o que já dá pra fazer

O ns2jb é o primeiro desbloqueio do Switch 2 só por software. Já deu pra colocar Hatsune Miku e Peter Griffin no Mario Kart World, mas some ao reiniciar e exige um jogo de US$ 25. Veja o que muda e os riscos.

Hatsune Miku, Peter Griffin e o Red do Angry Birds disputando corrida no Mario Kart World, num Switch 2 de verdade rodando código que a Nintendo não autorizou. O console que a empresa vendia como blindado ganhou nesta semana o primeiro desbloqueio feito só por software, sem abrir a carcaça e sem soldar chip.

Se você acompanhou por aqui o desbloqueio do PS5 que deixou rodar disco de PS2, já sabe como a coisa costuma andar: primeiro sai a prova de conceito para pesquisador e só depois chegam as ferramentas para o resto da galera. O Switch 2 está exatamente nesse primeiro degrau, então dá pra comemorar, mas ainda não dá pra sair instalando nada no console achando que ele virou PC.

Vamos ver o que o tal ns2jb faz, por que ele importa, o que a comunidade anda dizendo e o que vale (ou não) fazer agora.

O que é o ns2jb

O nome vem de “Nintendo Switch 2 jailbreak”, e quem publicou foi o pesquisador de segurança Sammy Hajhamid, o pepsipu, num post técnico datado de 18 de outubro. O pacote para testar subiu no GitLab no dia 21, e nesta quinta (22) a coisa explodiu no Hacker News e nos sites de games.

Pra quem nunca mexeu com isso, jailbreak é furar as travas do sistema pra rodar programa que o fabricante não aprovou. No ns2jb, o autor conseguiu executar código próprio dentro do fs, o módulo do sistema que cuida dos arquivos do console, e segundo ele isso abre caminho para:

  • rodar homebrew (apps e jogos caseiros feitos pela comunidade);
  • modificar jogos de Switch 2;
  • copiar saves do console pra fora, como backup;
  • estudar o hardware e os periféricos do aparelho.

Pra provar o ponto, o pepsipu colocou personagens novos no Mario Kart World, que é exclusivo do Switch 2. Ele conta que fez o mod “no vibe” em um dia, com ajuda do Codex, a IA de programação da OpenAI, enquanto o desbloqueio em si levou umas duas semanas de trabalho pesado.

Por que ele não é o jailbreak que você imagina

Essa é a parte que muita manchete gringa deixou pro rodapé. Pra começar, o ns2jb some quando você reinicia o console, o que a cena chama de jailbreak “tethered”: desligou, voltou tudo ao normal, e não existe firmware customizado (CFW) instalado de forma permanente.

Ele também depende de um jogo pago. A porta de entrada é uma falha no SmileBASIC 4, um app de programação do Switch 1 que roda no Switch 2 por retrocompatibilidade, custa cerca de US$ 25 na eShop americana e pode sair da loja quando a Nintendo quiser. Por fim, você precisa de um computador do lado, porque o processo usa um script em Node.js num Mac ou Linux na mesma rede do console, bem longe de um app que você abre e pronto.

O teste público foi feito no firmware 23.0.1, o mais recente quando o autor publicou, e mesmo assim a coisa é instável. O README diz que o processo só passou na terceira tentativa, depois de duas paradas nas checagens de segurança, então por enquanto estamos falando de ferramenta de laboratório.

O que a galera está dizendo

No Hacker News, a discussão passou de 100 comentários. Um usuário reclamou justamente do requisito do SmileBASIC de US$ 25, e outro chamou atenção pro lado nerd do setup: o autor montou uma estrutura com KVMs ligados por USB e HDMI pra IA mandar comandos de controle e ver a tela, e usou um daqueles interruptores bluetooth da Amazon, que apertam botão fisicamente, pra religar o Switch quando ele travava. Teve gente achando graça de o Switch 2 ter sido desbloqueado com ajuda de um “Switch Flicker”.

A pergunta que mais apareceu foi a óbvia, se dá ban. Ninguém tem resposta oficial, e a Nintendo tem histórico de banir console flagrado com software modificado online. Outro comentário apostou que, se o acesso ao fs for mesmo completo, dumps de jogos de Switch 2 vão aparecer rápido, e somado à onda de recompilações isso poderia levar exclusivos pra outros hardwares. É especulação, claro, mas ajuda a entender por que a Nintendo deve reagir logo.

O Notebookcheck lembrou que o desenvolvedor Gezine, que já tinha mostrado outra falha no Switch 2, conversou com o pepsipu e disse que o trabalho “parece legítimo”. Já a Digital Trends definiu como um avanço real que só não é um hack de um clique.

Por que isso importa pra quem tem Switch 2

Mesmo sem uso prático hoje, o ns2jb aponta pra algumas mudanças.

  1. O Switch 2 não deixa você copiar seus saves livremente, e uma ferramenta estável em cima desse acesso poderia resolver a dor mais legítima de quem tem o console.
  2. A demo do Mario Kart mostra que dá pra mexer em exclusivo, o que torna mod de tradução, de dificuldade ou de câmera uma possibilidade real.
  3. O próprio autor diz que espera ajudar a comunidade a chegar num CFW, e quer levar a falha pro navegador interno do console, que funciona offline e não tem como a Nintendo simplesmente tirar da loja.

Do outro lado, a Nintendo pode fechar a porta com uma atualização de sistema ou tirando o SmileBASIC 4 da eShop. Quem gosta de cena costuma segurar atualização nessas horas, só que isso tem preço, já que sem atualizar alguns jogos novos e recursos online podem parar de funcionar.

Como baixar e testar (só se você sabe o que está fazendo)

O pacote oficial está no repositório do pepsipu no GitLab, e é só por ele que você deve baixar. Em toda onda de desbloqueio aparecem sites falsos de “jailbreak fácil” que entregam malware ou pedem pagamento.

Pelo README, você vai precisar de:

  • Switch 2 no firmware 23.0.1;
  • SmileBASIC 4 versão 4.4.9 instalado, com mais de 20 MiB livres no save dele;
  • um Mac ou PC com Linux e Node.js 22 ou mais novo, na mesma rede do console (a conexão usa a porta 39380);
  • um teclado USB, que ajuda muito na hora de digitar o código no console; qualquer um simples, como o Logitech K120 (link de afiliado), resolve.

Com tudo pronto, o fluxo resumido fica assim:

  1. No SmileBASIC, digite o arquivo bootstrap.bas no slot 0 e salve como NS2.
  2. Reinicie o console e abra o SmileBASIC no modo direto.
  3. No computador, rode node run.cjs na pasta extraída e escolha o IP que o console enxerga.
  4. No console, carregue o programa e siga os comandos do README, incluindo a linha que o computador imprime.
  5. Quando terminar, reinicie o Switch 2 e tudo volta ao normal.

Hoje a demo roda duas funções de teste dentro do módulo de arquivos e depois restaura tudo, sem instalar CFW nem deixar homebrew pronto pra usar. Se você não sabe por que alguém usaria isso, provavelmente ainda não é pra você.

Também tem o risco de sempre: usar software não autorizado pode violar os termos da Nintendo e levar a banimento do console ou da conta, então não teste num aparelho em que você não pode perder o acesso online. E o NM não ensina nem apoia pirataria. Mod e backup do que é seu, tudo bem, mas baixar jogo, não.

Do lado do PC, a comunidade foi além e criou um port nativo de Zelda Tears of the Kingdom pro Windows e Linux.

Minha opinião

O ns2jb importa mais pelo que anuncia do que pelo que entrega hoje. Ver um console de 2025 aberto por software em pouco mais de um ano, com IA ajudando a achar e empacotar a falha, mostra o quanto a cena acelerou. Pra quem só quer jogar, minha dica é não mexer em nada agora, acompanhar e esperar ferramentas estáveis, se elas vierem.

Se você tem Switch 2 e quer aproveitar o console do jeito oficial, vale ver o que mudou no Elden Ring Nightreign no Switch 2. E conta aí: você testaria um desbloqueio no seu console ou prefere esperar a cena amadurecer?

Imagem: Mario Kart World modificado rodando num Switch 2 com o ns2jb (Red, Cinnamoroll, Hatsune Miku e Peter Griffin no placar), via blog do pesquisador pepsipu

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