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Pendrive falso: como testar a capacidade real
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Pendrive falso: como testar a capacidade real

Um especialista em segurança comprou 12 pendrives baratos de 1 e 2 TB e todos eram falsos; um de "2 TB" tinha 62 GB. Como o golpe funciona, os programas grátis que mostram a capacidade real (ValiDrive, H2testw e f3) e o que fazer se o seu for um deles.

Em setembro de 2023, o Steve Gibson, veterano de segurança do podcast Security Now, comprou 12 pendrives baratos de 1 e 2 TB na Amazon, e os 12 eram falsos. Um deles, vendido como 2 TB, tinha 62 GB de memória de verdade. Ele ficou tão irritado que escreveu um programa grátis só pra desmascarar esse tipo de golpe, o ValiDrive.

O mais perigoso é que pendrive e cartão microSD falso não dá erro. Ele aceita seus arquivos, mostra a barrinha de cópia andando e, lá na frente, devolve arquivo vazio ou corrompido. Se você usa pendrive pra guardar foto, save ou aquela cópia de segurança que a gente defende no guia de backup 3-2-1, esse é o pior cenário possível, porque você acha que tem cópia e na verdade não tem.

Por isso eu acho que todo pendrive ou microSD novo merece um teste antes de receber qualquer arquivo importante, inclusive os de marca. Leva de um minuto a algumas horas, é grátis e te livra da pior surpresa que um armazenamento pode dar.

Como o golpe funciona

Pendrive aberto mostrando chip de memória e controlador
Por dentro, um pendrive é basicamente um chip de memória e um controlador. No falso, o controlador mente sobre o tamanho do chip. Foto de Killarnee, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

O truque fica no controlador, o chipzinho que conversa com o computador. O falsificador reprograma esse chip pra informar uma capacidade muito maior que a da memória real, aí o Windows lê “2 TB”, formata, mostra 1,9 TB livre e parece tudo lindo.

Enquanto você grava menos que a memória que existe de fato, tudo funciona, mas quando passa desse limite o pendrive não avisa nada. Segundo o Gibson, esses drives descartam em silêncio o que é escrito onde não há memória, e até a leitura parece funcionar, só que o arquivo volta vazio. Alguns modelos reaproveitam o mesmo espaço e vão sobrescrevendo os arquivos antigos. Em qualquer dos casos, você perde dado sem ver uma única mensagem de erro.

O primeiro sinal de alerta é o preço. O Canaltech lembra no guia sobre pendrive falsificado que capacidade gigante por preço de pendrive comum é o golpe clássico. Num tópico de 2021 no fórum Adrenaline, quando alguém apareceu com um “Samsung” de 2 TB, a galera foi seca e explicou que um pendrive de 2 TB de verdade custaria mais de R$ 2.000, então o dele provavelmente tinha entre 8 e 16 GB.

Como testar se o pendrive é falso

Antes de qualquer teste, tire seus arquivos do pendrive. Os programas gravam no drive inteiro, e num falso isso pode estragar o que já estava lá, então o ideal é testar vazio, de preferência assim que ele chegar.

1. ValiDrive (Windows, o mais rápido)

O ValiDrive é grátis, tem menos de 100 KB e nem precisa instalar. Em vez de encher o pendrive todo, ele grava e lê amostras espalhadas pela capacidade anunciada e desenha um mapa em que verde é memória que existe e vermelho é espaço que não existe, então em poucos minutos você sabe se foi enganado. O site da GRC fala em mais de 1,1 milhão de downloads, e o Hardware.com.br fez um bom resumo em português.

Mapa do ValiDrive mostrando pendrive falso
Legenda do mapa do ValiDrive: verde é área validada, vermelho é onde não existe memória. Imagem da GRC/Steve Gibson, via GRC.

2. H2testw (Windows, o mais completo)

Se você quer o teste definitivo, o caminho é o clássico da revista alemã c’t, que se baixa no heise. Ele enche o espaço livre com dados de teste e depois confere tudo, o que é ótimo, só que lento: num drive “gigante” falso, ele escreve na velocidade de pendrive barato e pode levar dias.

A própria heise ensina um atalho esperto no guia de fake flash. Em vez de testar tudo, mande o H2testw gravar só uns 40 GB, um pouco acima dos 32 GB que muitos falsos têm de verdade, e se aparecer erro você já tem a resposta sem esperar um dia inteiro.

3. f3 (Linux e Mac, o mais nerd)

Quem está no Linux ou no Mac tem o f3, de Fight Flash Fraud, que é open source e funciona de dois jeitos. O f3write e o f3read fazem o mesmo serviço do H2testw, enquanto o f3probe com a opção --destructive (precisa de root e apaga o drive) descobre o tamanho real em cerca de um minuto. No exemplo da documentação, um pendrive de 16 GB tinha 7,86 GB de verdade e o diagnóstico saiu em 1 minuto e 13 segundos. Os binários ficam no GitHub do projeto, e quem usa a distro que a gente mostrou no post do Ubuntu 26.10 acha o pacote f3 no repositório.

O que acontece com quem não testa

Dois relatos dão uma boa ideia do tamanho da roubada. No fórum Adrenaline, o dono do tal “Samsung” de 2 TB tentou o AIDA64 e cada teste dava erro num ponto diferente, de 140 GB a 1.352 GB, enquanto o H2testw ia levar mais de dois dias. No fim, o conselho que ele recebeu foi devolver e comprar um HD externo ou SSD.

O outro caso é de março de 2026, quando o blog lituano dclabs.lt abriu um “2 TB” do AliExpress. O H2testw rodou quase duas semanas até dar o veredito de 8,1 GB funcionando e 1,5 TB de dados perdidos, e dentro havia só uma plaquinha genérica sem marca. Mais de 99% do que você gravasse ali ia sumir.

Se o seu for falso

O primeiro passo é devolver. Compra online tem 7 dias de arrependimento, e a Amazon mostra no anúncio a elegibilidade pra devolução no mesmo prazo, por isso eu sempre testo no dia que chega. Guarde também o print do teste, já que o mapa do ValiDrive ou o relatório do H2testw servem de prova na reclamação.

Se não der pra devolver, o f3fix cria uma partição do tamanho real e você pode usar o pendrive como o de 8 GB que ele é. Mesmo assim, eu nunca colocaria backup nele.

Como comprar sem cair nessa

Desconfie de qualquer pendrive ou microSD de 1 TB ou mais por preço de pendrive comum, e prefira loja oficial da marca ou anúncio vendido e entregue pela própria loja em vez de vendedor desconhecido em marketplace. Se a compra for pra Black Friday, vale juntar com o que falamos sobre identificar app falso, porque a lógica de checar quem está vendendo é a mesma.

No dia a dia, 128 GB honestos resolvem quase tudo. Um que eu recomendo é o SanDisk Ultra Flair de 128 GB, que hoje vem importado pela Amazon Global, então confira no anúncio o preço final e a garantia antes de fechar. E mesmo sendo de marca, passa ele no ValiDrive quando chegar, que custa dois minutos.

Meu veredito

Pendrive falso é o golpe mais traiçoeiro do armazenamento porque funciona direitinho até o dia em que você mais precisa dele. A defesa é chata, mas simples: desconfiar de capacidade milagrosa, testar no dia que chega e nunca deixar a única cópia de nada num pendrive.

Você já pegou um desses? Conta nos comentários quanto o seu “2 TB” tinha de verdade. Se o seu backup ainda mora num pendrive só, o próximo passo é o guia de backup 3-2-1, e se o computador é antigo, aproveita pra ver o que fazer com o PC do Windows 10.

Imagem: os 12 pendrives de “1 TB” e “2 TB” que Steve Gibson comprou para testar e que eram todos falsos, imagem da GRC/Steve Gibson, via GRC

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