Saúde mental virou a maior preocupação do brasileiro
Melhoria pessoal

Saúde mental virou a maior preocupação do brasileiro

58% dos brasileiros dizem que saúde mental é a maior preocupação de saúde, acima da média mundial. O que isso revela e onde buscar ajuda.

Pergunte a um brasileiro qual é o maior problema de saúde do país, e a resposta que mais aparece é a saúde mental. Foi o que disseram 58% das pessoas ouvidas pela Ipsos no Brasil. O número subiu seis pontos em um ano e coloca o Brasil bem acima da média global.

O dado está no Ipsos Health Service Report 2026 (08/10/2026), o Monitor da Saúde, e os recortes brasileiros foram detalhados pela Folha de S.Paulo (10/10/2026), justamente no Dia Mundial da Saúde Mental, data em que a OMS também cobrou mais cuidado na comunidade.

Os números da pesquisa

A Ipsos ouviu 22.528 adultos em 32 países, entre 13 de julho e 7 de agosto de 2026, pela plataforma online Global Advisor. No Brasil foram cerca de mil entrevistados. Na média global, 48% apontam a saúde mental como um dos maiores problemas de saúde do próprio país, à frente de câncer (40%), estresse (32%) e obesidade (25%). O tema lidera a lista da Ipsos desde 2023.

No Brasil, depois da saúde mental vêm estresse (29%), abuso de drogas (27%), obesidade (25%), abuso de álcool (18%), diabetes (17%) e doenças cardíacas (15%). No ano passado, a mesma pesquisa mostrava 52% dos brasileiros citando saúde mental. Agora são 58%, mesmo patamar de Alemanha e Colômbia. O Chile lidera o ranking, com 75%, seguido pela Suécia, com 70%.

A diferença entre homens e mulheres é grande. Entre as brasileiras, 68% colocam a saúde mental entre os principais problemas, contra 47% dos homens, uma distância de 21 pontos.

Um cuidado importante, que a própria Folha destaca: a pesquisa mede percepção, e não quantas pessoas de fato têm algum transtorno.

O estresse no dia a dia

A parte que mais me pegou é o impacto na rotina. Na média dos 32 países, 64% dizem que o estresse afetou a vida cotidiana pelo menos uma vez nos últimos 12 meses. No mesmo período, 61% contam que ficaram tão estressados que não conseguiram lidar com a situação, e 54% relatam ter se sentido tristes ou sem esperança quase todos os dias por pelo menos duas semanas.

Isso chega ao trabalho e às relações: 16% se afastaram do trabalho ou dos estudos por questões de saúde mental, e 17% deixaram de ir a encontros sociais ou familiares pelo mesmo motivo. Mulheres e jovens relatam mais impacto. Globalmente, 68% das mulheres dizem que o estresse prejudicou a rotina, contra 60% dos homens. Entre pessoas com menos de 35 anos, o índice chega a 75%. Entre 50 e 74 anos, fica perto de 50%.

Tem ainda um contraste curioso. 78% dos entrevistados dizem que saúde física e mental são igualmente importantes. Mas 75% afirmam pensar com frequência na saúde física, contra 63% que dizem o mesmo sobre o bem-estar mental. A gente fala que as duas importam igual, e na prática pensa mais em uma.

Por que a preocupação com saúde mental cresce

A Ipsos acompanha o tema desde 2018. Naquele ano, 27% dos entrevistados, em média, citavam a saúde mental entre os maiores problemas. Em 2026 são 48%. Esse salto de 21 pontos em oito anos tem várias leituras possíveis, e a pesquisa não escolhe uma.

A minha leitura é que parte desse crescimento é boa notícia disfarçada. Falar de ansiedade, depressão e esgotamento ficou mais aceitável, e muita gente que antes chamaria isso de “fraqueza” agora chama pelo nome. Quando um problema ganha nome, ele aparece mais nas pesquisas.

A outra parte não tem nada de boa. Os dados de impacto, com mais de seis em cada dez pessoas dizendo que o estresse travou a vida em algum momento do ano, indicam sofrimento concreto. E o recorte por idade preocupa: são os mais jovens que mais relatam o estresse atrapalhando a rotina.

Adriana Ghobril, líder de pesquisas de saúde da Ipsos Brasil, disse à Folha que os resultados reforçam a necessidade de olhar a saúde mental pela prevenção e pelo cuidado contínuo, e não só pelo tratamento. Concordo, e acho que isso vale no nível pessoal também.

O que dá para tirar disso no dia a dia

Pesquisa de percepção não é receita, mas ela ajuda a enxergar um padrão. Se a média das pessoas pensa menos na saúde mental do que na física, um primeiro passo é tratar as duas com a mesma regularidade. Do mesmo jeito que você repara quando dorme mal ou quando o corpo dói, vale reparar quando está há dias sem vontade de nada, irritado com tudo ou evitando gente.

O outro passo é não esperar o limite. Os 16% que precisaram se afastar do trabalho ou dos estudos mostram onde o estresse acumulado pode chegar. Conversar com alguém de confiança, rever a carga de trabalho e procurar ajuda profissional antes da crise costuma ser mais fácil do que reconstruir tudo depois.

Se você está passando por um momento difícil, o CVV atende de graça, 24 horas, pelo telefone 188 e pelo site cvv.org.br. E a rede pública tem os CAPS e as unidades básicas de saúde como porta de entrada.

Qual é a maior preocupação de saúde dos brasileiros?

Segundo a Ipsos, a saúde mental, citada por 58% dos brasileiros como um dos principais problemas de saúde do país em 2026.

O Brasil está acima da média mundial?

Sim. A média dos 32 países pesquisados é de 48%, contra 58% no Brasil.

A pesquisa mede quantos brasileiros têm transtornos mentais?

Não. Ela mede a percepção da população sobre os maiores problemas de saúde, e não a prevalência de transtornos.

Quem foi entrevistado?

22.528 adultos em 32 países, entre julho e agosto de 2026, sendo cerca de mil no Brasil.

Imagem de capa: slide “At a glance” do Ipsos Health Service Report 2026 (Ipsos, 08/10/2026).

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